O baixista Peter Hook é o som (e o espírito) do New Order

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O baixista Peter Hook é o som (e o espírito) do New Order

Peter Hook: Baixista influenciou uma geração de músicos, do pop eletrônico ao rock, com seu estilo preciso e melódico/Al de Perez

Peter Hook: Baixista influenciou uma geração de músicos, do pop eletrônico ao rock, com seu estilo preciso e melódico/Al de Perez

O New Order, banda que estourou nos anos 1980 em todo o mundo como uma das pioneiras no som eletrônico, teve como embrião o Joy Division, que chegou ao fim com a morte do vocalista Ian Curtis. O que as duas tinham em comum? Muitas coisas, mas principalmente o vocalista Bernard Sumner e o baixista Peter Hook. Peter Hook, que muitos apontam ser a alma do Joy Division e do New Order, conversou com o blog, mas nada de discussões jurídicas ou intrigas sobre o legado das bandas britânicas. O que interessa em Peter Hook é o som único que sai de seu baixo e o estilo que influenciou e influencia gerações e gerações de músicos em todo o mundo.

O Joy Division foi muito importante para a sua carreira, mas também para a música pop em geral. Qual foi a principal razão para esse sucesso, as letras ou a atitude de Ian Curtis?

As duas coisas, além também de estar no lugar certo na hora certa. Éramos quatro grandes músicos fazendo canções que passaram pelo teste do tempo. Martin Hannett, nosso produtor, também estava no auge, um cara talentoso e inovador. E ainda estávamos na Factory, uma gravadora independente que queria mudar o mundo. Tudo isso contribuiu para criar a lenda em torno do Joy Division. Entretanto, não há dúvida de que a música e as letras de Ian foram responsáveis por fazer a banda se tornar tão popular. E todas as histórias da época também ajudaram a eternizar essa lenda.

Como você acha que a música da Joy Division evoluiria se Ian Curtis estivesse vivo? Você acha que acabariam soando mesmo como o New Order ou se tornaria algo completamente diferente?

Sim, eu penso que teríamos continuado basicamente no estilo que seguimos. Ian foi sempre muito ativo e voltado para a música, ele foi quem nos apresentou novos sons eletrônicos que estavam surgindo, como o Kraftwerk. Tenho certeza de que Ian teria cantado ‘Blue Monday’ e teria seguido conosco nesse estilo, o nosso caminho musical teria sido o mesmo.

Você tem tocado músicas do Joy Division e New Order na turnê. Como esse repertório trabalha em conjunto? Você vê esse material como uma obra de duas bandas separadas ou há uma conexão em termos de estilo?

Há uma semelhança no estilo, mas o som do New Order teve uma base mais eletrônica, enquanto o Joy Division tinha uma formação mais tradicional. O trabalho do New Order é diferente, muito mais delicado, enquanto o Joy Division é muito mais natural. Para mim é um trabalho duro tocar as músicas do New Order, elas são bem mais complicadas.

Seu filho Jack Bates toca com você como baixista da banda The Light. Como é olhar para o lado no palco e ver seu filho tocando o instrumento que você transformou em ícone?

É muito bom, quando olho em volta sinto um orgulho incrível. Ele é um grande cara e cuida muito bem de mim na turnê. Tenho sorte, porque nem todos os pais sabem onde seus filhos estão o tempo todo, não é? Ele é um grande baixista e já tocou com o Smashing Pumpkins, além do The Light. Hoje ele é muito dedicado à banda.

Como surgiu o seu projeto Freebass, só com baixistas como Mani (do Stone Roses) e Andy Rourke (The Smiths)? Você se sente como um embaixador do instrumento?

É muito legal da sua parte dizer isso. É verdade, muitas vezes tenho sido identificado com o instrumento. Nos juntamos para gravar o Freebass porque queríamos tentar algo novo e inovador e também porque temos estilos diferentes de tocar. Logo percebemos que os estilos de Mani e Rourke eram bem complementares, e daí eu vinha depois e amarrava tudo com esse estilo mais agudo. Freebass acabou levando muito tempo para ser lançado, mas gostei bastante da nossa turnê pela Inglaterra e tenho orgulho do álbum. Há grandes músicas ali, ‘Plan B’, por exemplo, é uma bela música.

Você fez uma revolução no modo de tocar baixo, transformando um instrumento rítmico em um melodicamente relevante. Para mim, isso influenciou o som do New Order mais até do que o do Joy Division, que tinha uma urgência mais pós-punk. Como você desenvolveu seu estilo de tocar?

Veio instintivamente, nunca foi intencional em minha parte. Ian foi o primeiro a reconhecer esse meu estilo como algo mais incisivo e que conduzia o som, ele quem me encorajou a desenvolvê-lo!  Tenho muita sorte, já que acabou se tornando um sinônimo do meu som e minha marca registrada. Um estilo que é batizado com seu nome, “linhas de baixo no estilo ‘Hooky’”… Criar um estilo reconhecido mundialmente é sempre motivo de orgulho. No entanto, tocar dessa maneira nunca foi muito bom para as minhas costas…

O New Order é um dos principais nomes da música eletrônica, construiu uma reputação importante e influenciou o som que ouvimos hoje nas pistas de dança. Por outro lado, você se parece muito mais com um punk, sempre com casaco de couro e visual Harley-Davidson, principalmente no período com a banda Revenge. Você gosta de punk, hardcore e heavy metal ou é apenas o seu estilo de vida? E se é assim, podemos esperar um álbum com guitarras pesadas algum dia?

Sim, é uma contradição interessante que eu tenho, acho que já fui punk, roqueiro e fã de música eletrônica em diferentes períodos da minha carreira. Mas sempre fui mais roqueiro, amo rock ‘n roll e já devo ter passado por todos os clichês do estilo. Já fui motoqueiro, mas hoje em dia, aos 60 anos, ficou meio perigoso. A gente já não tem a mesma resistência quando cai…

Quais são suas bandas favoritas hoje em dia? Você ainda tenta ouvir novos artistas? Como eles influenciam o seu trabalho?

Hoje em dia costumo ouvir dance music e rap. Ouço muita música e tento acompanhar a cena em Manchester. Duas bandas que as pessoas deveriam prestar atenção são Blossoms e The Slow Readers Club, ambas estão indo muito bem na Inglaterra.

Quais são seus cinco baixistas favoritos de todos os tempos?

Carol Kaye (baixista de estúdio dos anos 1960 e 1970), John Entwistle (The Who), Jean-Jacques Burnel (The Stranglers), Paul Simenon (The Clash) e, sem ser arrogante, tenho que dizer: eu mesmo.

Os baixistas são geralmente tímidos ou gostam de ficar na parte de trás do palco e apenas alguns têm a atitude de líder da banda. De cara eu penso em Steve Harris, do Iron Maiden, Lemmy, do Motorhead, e você. Existe uma razão psicológica para isso? Você acha que a maioria dos baixistas ou músicos em geral escolhem o instrumento com base na sua personalidade?

Definitivamente os baixistas são vistos como músicos tímidos, mas eu quis quebrar essa ideia. Você não mencionou o meu amigo Pal Mani, do Stone Roses, que está longe de ser um cara tranquilo. São sempre os baixistas que dirigem a van durante as turnês, são mais legais e confiáveis do que os outros músicos. São os caras legais da indústria fonográfica e que odeiam qualquer forma de injustiça.

 

 

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