Como curar a relação com o próprio pai para não repetir erros com seu filho
01 de março de 2026
Existe uma cobrança que o tempo resolve, mas que a gente insiste em carregar antes da hora. Ela não vem de fora, não é a sociedade, não é a família. Ela vem daquele lugar fundo onde a gente guarda as mágoas que não sabe nomear direito — as que ficam entaladas na garganta quando a pessoa que você mais precisava ver não estava lá. Ou quando estava, mas você, ainda jovem demais para entender, achava que não era suficiente.
Eu cobrei meu pai durante anos. E quando falo em cobrança, não estou falando da reclamação passageira de um filho que quer atenção. Estou falando de uma postura, de uma narrativa que eu construí sobre quem ele era — e que demorei tempo demais para desconstruir. O problema é que essa narrativa não desapareceu quando eu cresci. Ela me acompanhou. Me moldou. E quase me fez perder algo que só entendi quando segurei meu filho pela primeira vez.
Mas vamos ao começo. Porque curar essa relação exige honestidade, e honestida...